Casal com linguagens do amor diferentes: o que fazer

Ele demonstra amor de um jeito, você espera de outro. Entenda por que casais com linguagens do amor diferentes se desencontram e como começar a se traduzir.

O que fazer quando vocês não se entendem?

Ele chega em casa com flores. Você agradece, coloca num vaso e vai dormir com a sensação de que faltou alguma coisa. O que você queria, naquela semana, era sentar com ele vinte minutos sem celular e contar como foi difícil.

Ele fez um gesto de amor. Você não sentiu amor. E nenhum dos dois está errado.

Eu ouço muito isso no consultório: "eu faço tudo por ela e ela diz que não se sente amada". Do outro lado: "ele até faz coisas, mas parece que não me enxerga". Quando os dois falam, dá para perceber que existe afeto ali. O que existe também é um problema de tradução.

Por que cada um dá o que gostaria de receber

A gente aprende a demonstrar amor do jeito que aprendeu a reconhecer amor. Quem cresceu numa casa onde carinho era comida pronta na mesa tende a cuidar fazendo coisas. Quem cresceu ouvindo "tenho orgulho de você" tende a elogiar.

Então, quando você ama alguém, oferece aquilo que, para você, teria valor. Faz sentido. O problema aparece quando o outro reconhece amor por outro caminho.

Gary Chapman, que criou a ideia das cinco linguagens do amor, descreveu esse desencontro: palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico. Você pode ler mais sobre cada uma no meu artigo sobre as cinco linguagens do amor.

Como o desencontro aparece na rotina

Veja só alguns exemplos que se repetem muito:

  • Ela lava a louça, leva o carro para revisão e resolve o boleto atrasado. Ele sente falta de ouvir "eu te amo" e acha que ela anda fria.
  • Ele quer abraçar no sofá. Ela está exausta e acha que ele só quer contato físico, enquanto ela precisava de ajuda para colocar as crianças na cama.
  • Ela manda mensagem no meio do dia contando uma bobagem. Ele responde "ok" porque está em reunião. Para ela, aquilo virou um "não tenho tempo para você".

Em nenhum desses casos falta amor. Falta o outro perceber o amor que está ali, e falta pedir o amor que você precisa.

O que fazer quando vocês têm linguagens diferentes

1. Perguntar em vez de adivinhar

A maioria dos casais passa anos tentando adivinhar o que o outro precisa. Faça a pergunta direta: "qual foi a última vez que você se sentiu realmente amado por mim? O que eu tinha feito?"

A resposta costuma surpreender. Muitas vezes é algo pequeno, que você nem lembrava.

2. Reconhecer o que o outro já faz

Antes de pedir mais, olhe para o que já existe. Se ele leva o seu carro para lavar, isso pode ser o jeito dele de dizer que se importa. Dizer "eu percebi que você fez isso por mim" já muda o clima da casa.

3. Pedir de forma concreta

"Quero que você me dê mais atenção" é vago e costuma soar como crítica. "Queria que a gente jantasse sem celular duas vezes por semana" é um pedido que dá para cumprir.

Se pedir é difícil para você, este texto pode ajudar: como falar o que você sente sem que vire acusação.

4. Cuidar para o esforço não virar cobrança

Quando um dos dois descobre a linguagem do outro, existe o risco de transformar isso em lista de tarefas: "você sabe que minha linguagem é tempo de qualidade e mesmo assim saiu com seus amigos".

A ideia das linguagens serve para aproximar. Se virou munição para a briga, vale parar e conversar sobre o que está por trás dela.

Quando a diferença de linguagem não explica tudo

Eu preciso te dizer uma coisa: às vezes o casal se agarra à explicação das linguagens porque ela é mais leve do que o problema real.

Se um dos dois já não tem vontade de se aproximar, se as conversas sempre terminam em briga ou se existe mágoa acumulada de anos, aprender a linguagem do outro não basta. Nesses casos, o desencontro é sintoma de algo maior. Este texto pode ajudar a entender esse ponto: como transformar brigas frequentes em oportunidades de crescimento.

Descubram a linguagem de cada um

Se vocês querem sair da adivinhação, um bom começo é cada um fazer o
teste das 5 linguagens do amor.

Ao final, você pode convidar seu par para responder também e ver o comparativo de vocês dois.

O teste é uma ferramenta de autoconhecimento e não substitui uma avaliação psicológica. Ele serve como ponto de partida para uma conversa que talvez vocês estejam adiando.

E se essa conversa travar, a terapia de casal é um espaço para vocês aprenderem a se traduzir com ajuda. Conte comigo.

Psicóloga Camila Rosa - CRP 06/198575

Um convite para continuar essa conversa.

Se este texto tocou em algo importante para você, a terapia pode ser um espaço para elaborar isso com mais profundidade.

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